Pais de vítima perdoam atirador de Goiânia: “Que o amor alcance a vida dele”

Na manhã da última sexta-feira (20), uma tragédia se abateu sobre Goiânia e chocou o Brasil, quando um garoto de apenas 14 anos entrou na escola onde estudava e abriu fogo contra seus colegas, matando dois deles e deixando outros quatro feridos. Porém em meio a tanta dor e revolta, o perdão e o clamor pela paz ainda se fazem presentes.

Os pais de João Pedro – que morreu após ser baleado pelo colega – disseram em uma entrevista para o ‘Fantástico’ que apesar da grande tristeza pela perda do filho, não guardam rancor do atirador.

“Nós já perdoamos. Eu perdoei ele”, disse Leonardo Calembo Batista, pai de João Pedro, quando questionado sobre o seu sentimento com relação ao atirador.

Com o trecho de um verso bíblico estampado em sua blusa, Bárbara Almeida Melo, mãe da vítima, também afirmou que em lugar do ódio, ela e o marido têm sentido tristeza pela situação em que a família do adolescente de 14 anos que disparou os tiros.

“O único sentimento que nós temos é de tristeza pelos pais dele, por ele. Porque o nosso filho foi morar com Jesus, mas qual será a reação da sociedade com esse menino? Nós não desejamos nada de mal para ele”, disse ela.

“O nosso desejo é que o mesmo amor que alcançou a nossa casa, alcance a vida dele”, acrescentou.


Bullying e investigações

Leonardo e Bárbara também estranharam as alegações de que o atirador teria cometido o crime por sofrer de bullying na escola.

“Em nenhum momento, a escola nos chamou ou nos relatou que o meu filho fazia bullying com outra criança”, desabafou o pai. “O inquérito foi encerrado e eu não fui chamado para depor, não escutaram a gente”.

A mãe de João Pedro também afirmou ser posssível a existência de outros fatores além do bullying para serem colocadas como causa da ocorrência.

“As pessoas estão debatendo, como se o bullying fosse a justificativa para matar uma pessoa. Mas o bullying não é uma justificativa, porque se ela for, mais e mais jovens e crianças vão morrer”, destacou.

“Se o delegado, em todas as entrevistas que ele deu, falou nessa justificativa do bullying, por que ele não procurou saber da nossa parte. Porque aí a escola teria que comprovar que nosso filho realmente estaria fazendo isso”, acrescentou.

Ao final da entrevista, Leonardo revelou que a esperança de encontrar o filho na eternidade é o que os tem sustentado neste momento de dor.

“A saudade vai ficar, mas nós temos a certeza de que vamos encontrá-lo um dia”, afirmou.

FONTE: GUIAME, COM INFORMAÇÕES DO ‘FANTÁSTICO’