Cristãos que se converteram secretamente exigem direito de praticar sua fé em Marrocos

Cristãos que se converteram secretamente procuraram o governo de Marrocos para pedir o direito de praticar sua fé livremente, em um país onde a religião predominante é o islamismo.

“Exigimos o direito de dar nomes cristãos aos nossos filhos, orar nas igrejas, enterrar os mortos em cemitérios cristãos e se casar de acordo com nossa religião”, disse à AFP o marroquino Mustapha, que se converteu ao cristianismo em 1994.

Juntamente com outros ex-muçulmanos que hoje seguem o cristianismo, Mustapha escreveu um pedido ao Conselho Nacional de Direitos Humanos para acabar com a perseguição aos cristãos em Marrocos.

O cristianismo é uma minoria religiosa no país — enquanto muçulmanos compreendem 99,6% população de Marrocos, evangélicos constituem apenas 0,4%, de acordo com o Projeto Joshua.

Embora a religião oficial de de Marrocos seja o islamismo, a Constituição do país permite a liberdade de religião. No entanto, enquanto as autoridades afirmam praticar uma forma moderada do Islã, cristãos marroquinos continuam sofrendo pressões por causa de sua fé.

Por duas décadas, Mustapha manteve sua fé cristã em segredo. Ele foi atraído para o Evangelho porque ficou “cansado das contradições do Islã” e estava à procura de algo para “preencher um vazio espiritual”.

Mustapha começou a trocar correspondências com um grupo religioso na Espanha e se tornou cristão. Anos depois, ele começou a se aprofundar no estudo da Bíblia através de um programa de ensino à distância dos Estados Unidos, tornando-se qualificado para ser pastor.

Há menos de dois anos, Mustapha decidiu declarar em público sua fé em Cristo, através de um vídeo divulgado na internet. Apesar suposta tolerância religiosa defendida pelo governo, ele foi duramente perseguido por sua família e amigos. “Eu era evitado no trabalho. Meus filhos foram intimidados na escola”, disse ele.

A Constituição de Marrocos permite a liberdade religiosa, mas Mustapha observa que “o código penal, os partidos políticos e a sociedade não seguem esse direito”.

Por exemplo, converter um muçulmano à outra religião é considerado crime no código penal. Instituições de ensino, orfanatos e centros de saúde que evangelizam muçulmanos através de seus serviços podem ser fechados por até três anos.

Mas atualmente, as coisas estão melhorando para os cristãos em Marrocos, de acordo com Rachid, que é um pastor ex-muçulmano. Ele aprendeu sobre Jesus ouvindo a um programa de rádio transmitido por Paris, em 2004.

“As prisões quase pararam, o que é um grande passo”, disse Rachid à AFP. “O assédio se tornou raro”.

Fonte: Guia-me